Quem passa para elétrico costuma fazer a conta da poupança face à gasolina e esquece uma segunda conta, quase tão importante: onde carrega. A diferença entre carregar em casa nas horas certas e carregar sempre em postos públicos rápidos é enorme, e é ela que determina se o carro elétrico compensa mesmo.
Os três preços da mesma eletricidade
O mesmo kWh custa valores muito diferentes conforme onde e quando o compra:
- Em casa, em horas de vazio (madrugada, com tarifa bi-horária): o preço mais baixo a que vai ter acesso.
- Em casa, em horas cheias: mais caro, mas ainda assim substancialmente abaixo do carregamento público.
- Em posto público rápido: o mais caro de todos, por vezes várias vezes o preço doméstico em vazio. Faz todo o sentido em viagem; não faz nenhum como rotina diária.
Os valores exatos mudam com o tarifário e com o operador, mas a ordem de grandeza mantém-se sempre: carregar em casa de madrugada é a forma mais barata de encher a bateria em Portugal.
A conta anual, passo a passo
Faça esta conta com os seus números, é simples:
- Quilómetros por ano — digamos 15.000 km.
- Consumo do carro — a maioria dos elétricos anda entre 15 e 20 kWh por 100 km. Use 18 para uma estimativa realista com uso misto.
- Energia necessária — 15.000 × 18 ÷ 100 = 2.700 kWh por ano.
- Multiplique pelos dois cenários — 2.700 kWh ao preço doméstico de vazio, e os mesmos 2.700 kWh ao preço de posto rápido.
A diferença entre os dois números é o que está a poupar por ano só por carregar em casa. Para consumos deste tipo, a diferença anual anda facilmente nas várias centenas de euros — e é isso que amortiza a instalação da wallbox em poucos anos, muitas vezes menos.
Tarifa bi-horária: vale a pena mudar?
Para quem tem carro elétrico e o carrega em casa, quase sempre sim. A bi-horária dá um preço mais baixo no período de vazio (tipicamente durante a noite) em troca de um preço mais alto nas horas cheias. Como o carro é, de longe, o maior consumo da casa e pode carregar inteiramente de madrugada, a conta costuma ser francamente favorável.
A condição é programar a carga, e é aqui que a wallbox faz diferença face à tomada: define-se o horário uma vez, na app ou no próprio carro, e ele passa a começar sozinho à hora certa, todas as noites, sem depender de ninguém se lembrar.
E se tiver painéis solares?
Muda a conta outra vez, e para melhor. O excedente de produção que injetaria na rede por muito pouco pode ser usado para carregar o carro, praticamente a custo zero. As wallbox com modo solar ajustam a corrente de carga à produção disponível em cada momento. Faz especialmente sentido para quem tem o carro em casa durante o dia, ou nos fins de semana. Falamos disso na página da instalação em moradia.
Não deite fora a poupança com uma instalação a menos
Um erro comum: comprar o carro, adiar a wallbox e ficar meses a carregar por tomada ou em postos públicos "para já". Nesses meses está a pagar o preço mais caro da tabela, todos os dias. A instalação normalmente paga-se com a poupança de um período relativamente curto — quanto mais cedo estiver feita, mais cedo começa a contar a favor.
Quer saber quanto custaria no seu caso? Veja o artigo sobre quanto custa instalar uma wallbox ou peça-nos orçamento pelo 919 060 257.
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